Arquitetos: o que fazer para valorizar a nossa profissão?

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Apesar de grande expectativa ao longo da graduação ou mesmo após recém-formados, a carreira de arquiteto e urbanista enfrenta uma série de desafios que vão desde a baixa remuneração, passando pela concorrência desleal (ou indevida), falta de oportunidade de crescimento a até o não entendimento do que realmente faz um arquiteto por grande parte da sociedade, além da visão míope de muitos profissionais os quais focam unicamente em projetos – e geralmente para atender exclusivamente à pequena parcela de alto poder aquisitivo.

Verdade é o arquiteto por mais talentoso que seja, o talento não necessariamente gera remuneração justa e, o profissional sente no dia a dia todos esses encalços que os persegue para atingir seu pleno desenvolvimento profissional e pessoal, na maioria das vezes merecidamente, após tanto esforço.

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Entretanto, é extremamente necessária a atuação dos próprios profissionais em valorizar sua carreira, lutar pelo futuro da Arquitetura e o devido reconhecimento o qual cada um dos que exercem nossa profissão almeja.  A mídia especializada e as entidades de classe como o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), tem debatido a valorização profissional, no entanto, estas lutas e debates não devem ficar a cargo unicamente das entidades de classe.

Esta luta das entidades de classe se fortalece por meio da ação dos arquitetos e são suas ações e escolhas as quais repercutem na imagem que a sociedade tem da profissão.

Iremos reproduzir abaixo a opinião de alguns profissionais da Arquitetura à Revista Au (edição 246 – set/14) sobre quais formas agir para a própria valorização profissional.

A valorização do arquiteto se mede pela sua participação efetiva no desenvolvimento do espaço físico, ou seja, o da cidade. Perdemos muito terreno em um contexto em que lógicas de mercado estão se sobrepondo à ação pública. Redefinir o nosso papel, assim como os processos, se torna crucial para sair da margem. Devemos continuar a pensar grande, planejado, sustentável, integrado, permeável, mas dominar as regras do jogo; aceitar concurso para tudo, mas exigir regras; ser competitivo, mas não ganancioso; pensar situações reversíveis, não jogar contra a cidade, mas aceitar as exigências do mercado; promover processos criativos abertos, participativos, sem deixar diluir as nossas prerrogativas… Tout un programme!
Guillaume Sibaud, arquiteto francês e sócio do escritório franco – brasileiro Triptyque

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Não existe profissional valorizado exercendo uma profissão desvalorizada. E nada é mais efetivo para a valorização de uma profissão do que o engrandecimento da sua entidade de classe. O profissional deve participar das atividades da sua associação: ajudar a organizar ou divulgar eventos, disponibilizar-se para ser representante em comissões ou grupos de trabalho para os quais a entidade seja convidada, compor diretorias e equipes técnicas etc. Uma entidade de classe sólida e respeitada é sinônimo de profissão forte e valorizada. Ela é ouvida e respeitada nas questões que envolvem o objeto e os interesses da profissão representada. Participar da entidade de classe e trabalhar pelo seu funcionamento e crescimento é tarefa que geralmente consome tempo e energia sem nenhuma contrapartida direta, mas é um gesto de desprendimento que caracteriza os profissionais que desejam verdadeiramente que a profissão seja valorizada e que a marca arquitetura permaneça viva (e forte) na mente das pessoas.
Ênio Padilha, engenheiro e autor de livros sobre gestão de carreira e administração de escritórios de arquitetura e engenharia.

Os arquitetos são os únicos responsáveis por sua valorização profissional. Não devem entregar a qualquer preço o seu trabalho intelectual e técnico. Caso contrário, desvalorizam seu crescimento, não assumem responsabilidade e estão a pensar apenas no dia a dia, sendo que o importante para a valorização da profissão é pensar a médio e longo prazo. Quando o arquiteto entrega seu trabalho a qualquer preço, o comprador se aproveita da situação, fomentando a inconsequência do ato, aumentando o custo da obra e de sua manutenção, pagando durante vários anos os custos das irresponsabilidades e erros desses maus projetos. Trata-se uma profissão de grande responsabilidade para com o ser humano, sociedade, saúde, segurança, bem-estar das pessoas e sustentabilidade. É importante entender a frase que eu considero a síntese do significado da arquitetura: “a arquitetura é a somatória da atitude estética e criativa em função do homem usando a tecnologia e respeitando o meio ambiente”.
Edo Rocha, presidente da Edo Rocha Arquiteturas

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A valorização profissional de arquitetos e urbanistas passa pela regulamentação de sua atuação, definição de honorários dignos e representação de classe, pontos sobre os quais tivemos conquistas recentes, que são do campo das construções coletivas. É preciso que o exercício profissional seja tratado com formalização e parâmetros adequados individualmente, evitando-se situações como prestação de serviços de modo informal ou que subdimensionem o conhecimento técnico envolvido e suas responsabilidades. Por outro lado, o compromisso com a busca por soluções criativas e adequadas à realidade brasileira, sem que se sobreponha interesses particulO arquiteto deve começar o dia com a certeza de pertencimento ao lugar e ter a real dimensão de que convive com outros. Sem essas certezas internalizadas ele jamais será um bom arquiteto, no sentido de parceiro social e sujeito ativo na melhoria das condições de vida das pessoas. Além disso, penso que o arquiteto deve ter um senso apurado e refinado de audição e visão, ouvir atenta e criticamente as demandas que lhe são apresentadas e enxergar com clareza o contexto em que irá atuar; assumir de forma plena as responsabilidades profissionais, sobretudo as responsabilidades éticas, e responder por cada ação ou omissão. Ademais, deve defender o direito das pessoas à cidade, colocar o seu saber específico a serviço dos legítimos interesses coletivos, ser um guardião da herança cultural do País (incluindo a sua arquitetura) e transmitir este legado às futuras gerações. Agindo assim, o arquiteto estará valorizando o seu ofício e defendendo os princípios e valores seculares da arquitetura.ares aos interesses coletivos, é o tipo de postura que é construída no cotidiano e que, quando adotada, ajuda na percepção das pessoas sobre o papel que nós, arquitetos, desempenhamos socialmente.
Roberta Menezes Rodrigues, professora da FAU-UFPA na área de planejamento urbano

A valorização profissional baseia-se em três pontos: respeito, conhecimento e parcerias. O arquiteto deve respeitar a si mesmo, fazendo o que gosta com dedicação, sem se deixar levar por propostas de trabalho que não reconheçam seu real valor. O respeito deve existir com os clientes e colegas de trabalho, por meio da ética no exercício da profissão. Agrega-se a isso a busca constante por conhecimento pela leitura de livros e revistas especializadas, assim como a participação em cursos e eventos da área. O mercado está cheio de novidades lançadas diariamente, e o cliente, cada vez mais informado, espera um profissional atualizado com as tendências. Por fim, o arquiteto tem de ter boas parcerias, pois um trabalho de qualidade é resultado do esforço de uma equipe multidisciplinar competente, que visa a oferecer o melhor para o cliente e a sociedade de um modo geral.
Joene Saibrosa, arquitetua e urbanista

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O arquiteto deve começar o dia com a certeza de pertencimento ao lugar e ter a real dimensão de que convive com outros. Sem essas certezas internalizadas ele jamais será um bom arquiteto, no sentido de parceiro social e sujeito ativo na melhoria das condições de vida das pessoas. Além disso, penso que o arquiteto deve ter um senso apurado e refinado de audição e visão, ouvir atenta e criticamente as demandas que lhe são apresentadas e enxergar com clareza o contexto em que irá atuar; assumir de forma plena as responsabilidades profissionais, sobretudo as responsabilidades éticas, e responder por cada ação ou omissão. Ademais, deve defender o direito das pessoas à cidade, colocar o seu saber específico a serviço dos legítimos interesses coletivos, ser um guardião da herança cultural do País (incluindo a sua arquitetura) e transmitir este legado às futuras gerações. Agindo assim, o arquiteto estará valorizando o seu ofício e defendendo os princípios e valores seculares da arquitetura.
Guivaldo D´Alexandria Baptista, presidente do CAU/BA e presidente adjunto da FAU-UFBA

Opinião da 44 ARQUITETURA: O arquiteto em sua carreira, ao desempenhar suas funções, necessita enaltecer todos os dias o quão importante é sua profissão para a sociedade. Sabemos que, a Arquitetura tem a importância muito maior do que simplesmente projetar. Precisamos projetar para as pessoas, para a sociedade, sendo nossa função perseguir o bem maior de uma sociedade melhor para todos. Mas ao mesmo tempo, é preciso que nós, arquitetos, também cresçamos pessoal e profissionalmente, investindo em aprimoramento, em conhecimento e em capacitação para que de forma prática possamos desenvolver tudo aquilo que temos como ideais. Precisamos ser justos e leais para com nossos próprios colegas de profissão, cobrando sempre o preço justo. Precisamos, acima de tudo, lutar para que as funções dos arquitetos sejam exercidas exclusivamente por nós, arquitetos, e desta forma uma obra de construção, um projeto de paisagismo ou de urbanismo tenha a devida execução competente por aqueles os quais estudaram e se aprimoraram para tal. A união com as entidades de classe é importante, entretanto, a mudança está em nós profissionais (e estudantes) a cada dia, a cada atitude e decisão tomada.

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Sobre 44 arquitetura

A 44 Arquitetura é um escritório particular pertencente aos sócios Cássio Wetterich e Luiz Carlos Lara localizado no interior do estado de São Paulo. Ficou conhecido no Brasil através de sua página no Facebook a qual se tornou uma das mais populares no segmento devido a seu conteúdo atualizado e diversificado relacionados com o as áreas de Arquitetura, Urbanismo, Design e Engenharia!
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