Aprenda a fazer um lago artificial com peixes no jardim

Um lago no jardim, para quem tem espaço suficiente pode ser mais fácil do que muitos imaginam. E quem não quer ter um lago artificial para peixes em seu próprio jardim? O lago é de extremo bom gosto tanto para quem usufrui dele diariamente quanto para quando recebemos visitas em nossas casas.

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Entretanto, é preciso tomar alguns cuidados no momento de planejar um lago artificial bem feito e um dos maiores motivos é que dependendo da forma como foi construído, os peixes podem não sobrevivem e as únicas plantas a proliferarem nele são as algas.

Esse post visa, então, orientar nossos amigos os quais queiram fazer um lago artificial, tanto em seu jardim como de algum cliente, de forma minimamente sustentável e pensada, a fim de evitar possíveis problemas futuros. A primeira coisa a se ter em mente é a de que um lago não é um aquário, portanto, se não fizermos de forma bem pensada, alguns dissabores podem surgir posteriormente.

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LOCALIZAÇÃO E TAMANHO DO LAGO

Primeiro temos de pensar no local ideal para o nosso futuro lago. Convém que seja um local aberto e o qual receba uma boa quantidade de luminosidade solar durante algumas horas por dia.

Deve-se ter atenção para que ele não fique muito próximo às árvores, uma vez que estas podem vir a danificá-lo com as suas raízes. Também as folhas dessas tendem a caírem na água, sujando-a e contribuindo para o seu apodrecimento.

É conveniente deixar o lago relativamente próximo à uma tomada elétrica, para a instalação de equipamentos. É possível, inclusive, construir um lago cujo fornecimento energético seja feito através de painéis solares.

A profundidade do lago é outro fator de grande importância. Apesar de não termos no Brasil (de forma geral) invernos rigorosos, temos verões muito intensos. Assim, devemos pensar a construção de um lago com uma zona de profundidade mínima de um metro.

Esta profundidade permite que os peixes tenham uma zona mais fresca e oxigenada nos períodos de calor intenso onde podem refugiar-se. Por outro lado, nos meses gelados de inverno (no sul e parte do sudeste e centro-oeste), a água, a um metro de profundidade, tem uma temperatura acima do 10º C mesmo em dias de muito frio.

Para que a regulação biológica natural do lago seja possível, este deve ter no mínimo uma área de cerca 10 metros quadrados (uma área equivalente à de um quadrado com 3,20 metros) sendo que 2 metros quadrados desta superfície devem ter 1 metro de profundidade.

MATERIAL DE CONSTRUÇÃO

Existem dois tipos de materiais aconselhados para a construção do lago de jardim. Os tipos pré-fabricados e os de tela.

Os lagos pré-fabricados são muito mais robustos e com instalação muito mais simples. Duram mais tempo sem sofrer danos uma vez que o material é extremamente resistente. Além disso, como já veem formados, o maior trabalho é basicamente cavar o buraco mais ou menos do tamanho e forma daquilo que compramos. Vendem-se em superfícies comerciais com área de jardinagem e já existem em variadíssimos modelos.

Contudo, os lagos pré-fabricados possuem várias limitações. Mesmo os modelos grandes de uma só peça têm áreas inferiores a 10 metros quadrados e em quase todos a profundidade máxima é de cerca de 80 centímetros, o que, conforme foi dito anteriormente, não é aconselhável.

Se quisermos adquirir um lago com dimensões maiores, os custos também se elevam consideravelmente.

Além do mais, costuma ser bastante inclinado, o que não é favorável para a manutenção e aos eventuais deslizes de alguma pessoa ou animal que eventualmente caia lá dentro. Como a inclinação é grande, geralmente dificulta a saída em caso de acidente.

Os lagos de construção em tela impermeável em PVC durável são os que permitem uma construção mais adaptada às necessidades e gostos de cada um. São bastante fáceis de manusear e permitem uma maior liberdade criativa na construção. Além disso, o material é bastante mais barato.

No entanto, convém comprar uma tela de 1 milímetro de espessura ou mais, a fim de evitar que se rasgue com facilidade.

Os oleados contêm metais pesados tóxicos (cádmio) pelo que não devem ser utilizados para a construção do lago em nenhuma circunstância! Ao comprar a tela deve-se ter atenção à sua capacidade de resistência à radiação UV, para não rachar facilmente. É também importante que a tela resista bem a temperaturas baixas e que seja inócua para peixes e as plantas.

PLANIFICAÇÃO DO LAGO

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O próximo passo é a planificação. Para tal precisamos apenas de imaginação, papel e lápis. É fundamental fazer um pequeno esboço daquilo que pretendemos.

Sugiro que o desenho do projeto seja realizado em corte transversal. Devemos pensar na colocação de zonas para plantio de plantas (com substrato, cascalho e/ou areia fina) a diferentes níveis de profundidade, pensando também que existem diversos tipos de plantas para diversas profundidades. O lago deverá afundar de forma suave. Não esquecer a já citada zona mais profunda (1 metro).

É preciso ter em consideração ainda a área de instalação de bombas e filtros, pensando em locais de maior facilidade de acesso aos equipamentos, para futuras manutenções ou eventuais problemas técnicos.

As margens devem ser pensadas com o objetivo de uma boa fixação da tela (com pedras por exemplo), de forma a evitar que a tela se desprenda e não esquecer que essa fixação ao solo deve ser realizada em vários pontos do lago e a várias profundidades.

->Construção e enchimento

Após escavar o buraco conforme o planejado – levando em consideração os vários patamares para colocação de plantas – em  seguida, e para que as margens do lago tenham o mesmo nível, enchemos uma pequena mangueira transparente com água e, fazendo uso, do principio dos vasos comunicantes verificamos se a superfície do lago se encontra nivelada.

Também podemos usar uma tábua comprida, assente em ambas as extremidades do buraco, e um nível de bolha de ar para atingir o mesmo fim.

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É preciso, então, comprar a tela com área suficiente para forrar completamente todo o interior do lago.

Ao acabarmos  de cavar o buraco, vamos limpar toda a sua superfície para retirar as pedras e o cascalho do seu interior. Qualquer pedra mais afiada pode resultar no rompimento da tela.

Já com a tela, vamos assentando a partir de uma extremidade, prendendo-a com pedras, por exemplo. Convém colocar pedras pesadas, não pontiagudas, em vários pontos do lago para que fique bem presa. Nunca furar a tela com estacas ou algo similar (como é óbvio). A tela deve ser bastante maior do que toda a superfície do lago, uma vez que ela vai revestir todo o seu interior e ainda sobrar tela para a podermos fixar à superfície.

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Depois da tela colocada, devemos deixar um tubo, ou um canal para escoamento de água excedente, ou a água da chuva, por exemplo, para que possa ser drenada a um local apropriado (fossas, valas ou outras canalizações).

->Passamos a fase da colocação do cascalho

Na parte mais funda do lago devemos colocar uma pequena camada de areia grossa (com cascalhos) com 1 ou 2 centímetros apenas. Posteriormente, o tempo encarregar-se-á de depositar outros sedimentos.

Nos patamares mais superiores, devemos colocar 5 a 8 centímetros de cascalho, uma vez que será nestes locais que vamos colocar as plantas. Nunca cometa o erro de usar terra de jardim para este uso.

Logo depois é preciso plantar as plantas, sabendo que estas deverão estar sempre úmidas no processo. Isto quer dizer que não devemos plantá-las e esperar dois ou três dias para encher o lago com água. Caso não seja possível, então não devemos esquecer-nos de manter as plantas úmidas.

Ainda em relação às plantas, podemos optar por colocar algumas dentro de recipientes (vasos com areia), em vez de ficarem todas plantadas diretamente entre a areia e a tela. Assim temos sempre a possibilidade de mudar esses cestos de local com relativa facilidade, alterando a estética do nosso lago. Este truque, também nos permite realizar as podas e transplantes com muito maior facilidade.

O enchimento do lago com água deverá ser realizado por fases. Enchemos um terço do volume e deixamos repousar dois dias, depois passamos para o segundo terço e mais dois dias de repouso e finalmente acabamos de encher a última etapa.

Com este processo damos tempo para que os materiais se adaptem a pressão exercida pelo líquido.

Uma observação muito importante é saber qual vai ser a capacidade do nosso lago. Sendo assim devemos estimar os litros de água gastos no seu enchimento. Isto se prende com o fato de, para qualquer tratamento futuro, em peixes, plantas, etc., tenhamos a noção exata do volume de água do lago. Deste modo, poderemos aplicar os produtos químicos, corretamente, fazendo as contas de forma exata, evitando excesso de produtos ou a falta deles.

A água deve ser colocada com algum cuidado para não danificar os arranjos que já se encontram feitos. Sugiro o uso de uma mangueira a baixa pressão e deixar encher lentamente. Para sabermos o volume gasto, basta verificarmos, por exemplo, o hidrômetro. Ou então encher com regadores ou baldes dos quais sabemos o seu volume.

Durante as três fases do enchimento devemos ir acondicionar a água com os produtos químicos que existem no mercado. Assim conseguimos controlar de inicio, fosfato, nitratos, cloro etc.

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FILTRO, LÂMPADAS E PLANTAS

Um filtro adequado para lagos de jardim, de acordo com o volume desse lago, tem um papel crucial na manutenção de todo o sistema. Ele limpará as impurezas, renovará a água, criando colônias de bactérias “boas” nos materiais filtrantes e permite uma boa circulação da água impedindo a estagnação.

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Estes filtros já vêm com manual de instalação e, como é obvio, devem ser colocados durante a montagem e ligados depois do lago estar cheio. Devemos também instalar um filtro de lâmpada UV-C. Existem filtros completos em que um só sistema de filtro já tem lâmpada UV-C incorporada, mas é preferível o uso de dois em separado. Assim evitamos que se estraguem os dois componentes ao mesmo tempo.

É importante que a água seja filtrada antes de chegar à lâmpada UV-C. Isto evita que os agentes patogênicos passem pela lâmpada protegidos por partículas em suspensão. Ou seja, o filtro deve ser colocado antes da lâmpada UV-C no circuito de água.

Não nos devemos esquecer que estes equipamentos precisam de energia elétrica. Daí já ter alertado para tal, na fase de planejamento. Para além do mais, de tempos a tempos, temos de mudar os materiais filtrantes ou mesmo limpar o filtro. Convém ter em atenção o local onde vamos colocar estes equipamentos dentro do lago. Isto para que seja um local em que (mesmo de trajes de banho) possamos chegar lá facilmente.

Depois de toda a montagem realizada (plantas inclusive), devemos dar ao lago um período de repouso.

Este período de descanso servirá para as plantas criarem algumas raízes e também para que o ciclo de nitrificação seja completamente realizado. Basicamente, este ciclo, é a conversão da amônia em compostos de nitrogênio que são praticamente inofensivos. Mas não se preocupem! Este processo não é realizado por nós e sim por bactérias que realizam esta conversão.

Para quem tiver mais recursos, existem várias hipóteses de iluminação interna e externa do lago. Se colocarmos no interior do lago e na área circundante, com algumas lâmpadas bem posicionadas é possível criar um clima noturno espetacular. Além disso, também podemos adicionar cascatas (com pequenas bombas de água) e repuxos.

Enfim! Adereços não faltam. É tudo uma questão de imaginação, gosto e, claro está, dinheiro.

FINALMENTE, OS PEIXES…

E chegou a hora de colocarmos os habitantes mais desejados.

São obviamente os peixes que trazem a dinâmica a qualquer lago de jardim. Existem várias opções: as esplendorosas carpas Koi, os kinguios, os esturjões, etc. No entanto isso cabe a uma preferência pessoal, não é aconselhável fazer uma comunidade de todas as espécies. É até mais indicado um lago de apenas uma espécie de peixes.

No ato da compra, verifique se os peixes aparentam estar em boas condições. Peça para os alimentarem na sua frente e verifique se demonstram vitalidade e se não aparentam ter feridas visíveis no corpo.

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Um lago de carpas Koi é fantástico. É preciso salientar, no entanto, que são peixes os quais podem atingir até um metro de comprimento. Desta forma, é preciso ter atenção á profundidade, á área do lago e á quantidade de peixes a ser introduzida.

É preciso realizar uma verificação dos nitritos antes de colocar qualquer peixe no interior do lago. Basta comprar um pequeno kit de teste numa loja. Assim que os níveis estiverem abaixo de 0,1 mg/l podemos introduzir os primeiros peixes.

Jamais introduzir os peixes no lago todos ao mesmo tempo. Comece por colocar dois peixes inicialmente e ir aumentando o seu número ao longo das semanas seguintes. Isso é importante para dar tempo de adaptação ao micro sistema.

Agora o trabalho está feito!

Resta-nos redobrar a atenção nos primeiros dias de adaptação dos peixes. Verificar se estes se alimentam bem e se estão ativos. Realizar leituras do Ph da água (com kit apropriado) e dos nitritos. Se tudo foi realizado corretamente e com a calma necessária (quase sempre é a pressa que traz maus resultados), não deverão existir problemas.

Finalmente você poderá apreciar a obra e porque não, convidar uns amigos para desfrutarem do novo espaço em casa.

Ou então, sentar-se apenas no local a relaxar e apreciar. Acredite que vale mesmo a pena.

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LISTA DE MATERIAIS, EQUIPAMENTOS E PLANTAS

Segue uma lista de material necessária para a realização desse projeto:

  1. Materiais

Enxada

Picareta (se a terra for muito dura)

Trena

Mangueira transparente ou tábua direita e nível

Baldes

Lago pré-fabricado ou tela

Revestimentos de proteção da tela (se for a opção)

Esteira de proteção de declives (se necessário)

Pedras arredondadas médias e grandes

Areia fina para acamar o fundo entre a tela e o solo

Areia grossa e cascalhos (para substrato das plantas)

  1. Equipamentos

Filtros (verifique o volume do lago e pergunte na loja qual o filtro mais indicado para o seu caso)

Bomba de lago

Lâmpadas várias (se for a opção)

Repuxos (se pretender)

Kits de teste de Ph e de nitritos (no mínimo estes)

  1. Plantas

Plantas de folhas flutuantes

Plantas submersas

Plantas flutuantes

Plantas de margens

Plantas de zonas pantanosas

Adubos (fortificantes para plantas aquáticas)

Rede (para retirar peixes e folhas)

Autor: Alexandre Rebelo

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