Dicas rápidas de como construir suas maquetes

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Uma postagem que vai ajudar àqueles que tem dúvidas, ou então acrescentar mais conhecimento a sua técnica de criação de maquetes, o que para alguns chega a ser um hobby, para os estudantes de arquitetura uma necessidade devido aos números trabalhos na qual é exigido essa forma de representação, a maquete física, que também, muitos profissionais da arquitetura levam consigo a construção de maquetes para apresentação de seus trabalhos.

Foi passando pelo blog do Fábio Lanfer, na qual existem muitas postagem que vão ajudar você que pertence a este mundo que encontrei esta postagem muito bem elaborada sobre a criação de maquetes.

A primeira parte é um pouco de teoria (técnicas ou dicas), e a segunda parte são exemplos comentados, que dão uma noção mais global do curso de arquitetura à partir desta forma de representação.

PRIMEIRA PARTE – TEORIA

Objetivo
É ele que define se vale a pena fazer, e como fazer, uma maquete. O que você quer.
Ex.(1) :Vou vender um prédio – Vale a pena investir ? (maquetes profissionais custam caro!), porém maquetes mostram melhor – principalmente para os leigos (compradores) – o conjunto da obra. Bem mais do que desenhos!
Ex.(2): Vou estudar – por exemplo qual a relação do volume com o entorno no meu projeto? – Maquetes de estudo são uma importante ferramenta para a criação arquitetônica. Deve ser simples, de preferência reciclada. Pode-se usar fita ao invés de cola (a não ser que seja para alguma apresentação mais séria..) para ter mais liberdade de intervenções físicas, mudar coisas de lugar, cortar, aumentar, girar, etc. (inclusive junto com os professores)

Escala
A definição da escala é o ponto principal para dizer o que você quer mostrar com a maquete. Uma cidade, um bairro, um quarteirão, um lote, um objeto construído, um detalhe.
Quanto maior a maquete mais detalhes devem ser representados, ou ela parecerá simples demais.
Do oposto, muitos detalhes em uma maquete pequena e ela parecerá poluída.
Outro fator importante é definir escalas usuais. Assim você terá mais facilidade para cortar e montar tudo na proporção correta (além da relação visual com outras representações, principalmente com desenhos na mesma escala)
A “escala” é uma relação inversa (vou descrever aqui usando x:y) entre realidade(y) e modelo(x).
Um X centímetro (ou outra unidade à escolha) do modelo representam Y centímetros (ou a mesma unidade de x) reais. Por exemplo 1:100, um centímetro da maquete representa 100 centímetros -ou um metro – reais. Exemplos usuais:
Para representar um bairro, uma área de intervenção urbanística é comum o uso da escala 1:5000, 1:2500, 1:1000 ou até 1:500 se tiver espaço para uma maquete grande. / Para um grande lote, um conjunto de prédios, ou um clube por exemplo, utiliza-se 1:500, 1:250, ou então 1:200. / Para representar uma casa ou um pequeno projeto (mostrando bem sua volumetria, estrutura, aberturas e demais elementos é usual a escala 1:100 ou até 1:50. / Para detalhes pode-se utilizar 1:20 ou 1:10, depende é claro do objeto de estudo.

maquete-de-casa-modernaMateriais
Um grande segredo é não tentar copiar com tanta fidelidade os materiais reais, pois ficarão parecendo falsos (por exemplo aquelas arvorezinhas compradas prontas – embora muitas peças tenham melhorado de qualidade…- o ideal é sugerir volumetricamente que haverá uma árvore ali; use bombril, bucha, papel, algodão ou o que tiver disponível!). Paredes / Construções:

1) Para maquetes bem detalhadas use os papéis “Duplex” (brilhante de um lado, fosco do outro) ou “Triplex” (brilhante dos dois lados), que nada mais são do que cartolinas de boa qualidade. Tem um ótimo acabamento. Obs: Cuidado para não amassar ou sujar de cola, pois aparecerá muito devido ao brilho.

2) Para maquetes mais rápidas ou menos detalhadas use “Hörle” ou “Papel Paraná” – São basicamente pepelão com densidade e cor homogênea (as fotos aqui das maquetes cinzas são hörle, as de cor beje são paraná).

3) Para estudos volumétricos ainda mais rápidos use “Papel Pluma”, poliestireno extrudado (XPS) ou também chamado de Depron; um tipo de isopor de alta densidade (com melhor acabamento), que pode ainda vir revestido com papel nas duas faces, apenas em uma ou nenhuma.

4) Revestimentos coloridos: qualquer papel serve! Obs: Apenas use bem a cola e o estilete (como descrito abaixo em técnicas).

Cores
A mesma dica anterior serve aqui (não tentar copiar as cores reais com fidelidade).
Apenas nas maquetes profissionais (e de escala muito ampliada) é que se deve representar tudo e cada detalhe do que será construído (isso venderá o projeto, e obviamente demandará muito trabalho para fazer ou custará caro). A intenção principal da maquete é representar a volumetria. Maquetes monocromáticas, ou numa escala de cores básica funcionam muito bem. Pode-se mostrar acabamentos e efeitos de luz numa maquete eletrônica por exemplo.

Técnicas
Cola: use o mínimo possível, ela seca mais rápido e facilita o trabalho. Caso descole é possivel colar novamente, porém se melecar tudo, é provável que a cola não seque, escorra, e estrague a peça. Você perderá muito do trabalho já feito.
Estilete: Use a paciência e não a força. Se aplicar força irá cortar de uma vez porém irá deixar o material engruvinhado. O segredo é passar o estilete muitas vezes na mesma direção até que as partes se soltem sozinhas.
Encaixes: Boa dica. Poder desmontar e mostrar algo interno impressiona. Ou facilita a montagem de estruturas complexas.
Fotos ou desenhos impressos: Isso! Usar materiais impressos (nas partes planas: plantas ou fachadas) pode melhorar o acabamento, acrescentar detalhes, mas principalmente ajudar na escala para que tudo fique proporcional (atenção nisso).

Mãos à Obra!!

SEGUNDA PARTE – PRÁTICA

Na disciplina de maquetes (que no curso de arquitetura é um misto de treino e avaliação das habilidades), realizamos primeiramente algumas formas simples.

Dica: Não tem prática nenhuma com maquetes? É bom testar operações simples para pegar um pouco de “traquejo” antes de construir aquilo que deseja.

Cortar peças e revestir com materiais. Treino de paciência e precisão. Abaixo o sistema de curvas com ranhuras paralelas, que são feitas usando apenas uma leve passada de estilete (depois claro da marcação com régua e lápis).

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Considero uma pena que esta disciplina não está (pelo menos na minha época não estava) exatamente no início da faculdade (embora o início esteja lotado de outras disciplinas legais), então você sofre para fazer alguns projetos na marra e depois vai pra maquetes desenvolver a técnica.

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Acima papel paraná plano e curvado com cola branca. De início, você trabalha a criatividade, intuição. Propõe formas e abstrações de significados. Depois, começam algumas condicionantes, como o “tema”. No trabalho abaixo eram espaços de circulação e permanência. Imaginei uma praça num terreno inclinado. Material: Paraná e Papel pluma, cola branca e muitos cortes com estilete.

Depois veio uma certa releitura da habitação primitiva (hein?). O famoso EP1. É isso mesmo, tinha de pensar nos elementos principais primitivos, fogo (propus lareira / churrasqueira na torre), abrigo (ficaram lajes pois não representei o vidro) e água (lago ou mar) . Deu nisso:

Lembro de ter gostado muito de ter feito este projeto. Usei papel paraná no edifício. Isopor, massa plástica e papel de folha de bananeira para a base.

No próximo (projeto 2 abaixo) o programa era um auditório (imaginei uma concha acústica) com pavilhão de exposições. Papel horle, palitos de pvc, isopor, capa de apostila plástica para representar o vidro escuro, e papel triplex para a cobertura.

Depois, um dos assuntos mais frequentes: habitação. Abaixo uma maquete esquemática de residência próxima à uma represa (projeto 3) . Imaginei toda a casa à partir de uma sala redonda de pé direito duplo, e dentro dela um mezanino com acesso à varanda. Abaixo da varanda seria a garagem, e acima uma cobertura móvel (mecânica), que pudesse acompanhar o movimento do sol de acordo com a orientação. Materiais: Horle, Craft, duplex, arame, sulfite azul e preto, pluma, e um antigo tubo de filme fotográfico branco leitoso (!)

Depois tive um trabalho integrando aulas de projeto com aulas de maquete (projeto 4):
Um terreno muito inclinado na vila madalena, com a representação deste feita em camadas marrons e cinza de E.V.A. (aquela espuma densa de colchonete).

Esta é um exemplo de maquete desmontável… Tira-se a cobertura (que teria uma suíte dentro) e é possível ver então o pavimento superior. Tira-se este piso superior e aparece então o andar de baixo. A cobertura curva utilizou a técnica das ranhuras citada na primeira parte do post… As plantas são plotadas do autocad, e todas as superfícies da casa são de triplex.

Próxima maquete; um conjunto residencial (ainda para o tema de habitação de Projeto 4). Modulação, repetição e composição. Eram 12 habitações, com lazer, circulação e acesso (Devíamos pensar na insolação, ocupação, volumetria, partido..). Base em isopor revestido de papel rígido, e o resto o de sempre: horle, parana, craft, triplex, papel de bananeira pra grama, papel azul e filme plástico para a piscina.

Dica: Repare que não é necessário detalhar a maquete inteira nos elementos repetidos; pode-se detalhar apenas uma unidade! Outra opção seria fazê-la toda branca numa escala menor, e uma outra maquete de ampliação da tal unidade; com aberturas, texturas, estrutura etc.

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Próximo projeto abaixo era um centro cultural para um artista plástico (Projeto 5). Quis ‘ousar’ um pouco e fazer uma cobertura diferente sobre uma praça/jardim suspensa. A maquete de implantação teve planta do cad, e prédios do entorno em EVA cinza. Volume em papel pluma (representando 3 pavimentos), palitos e duplex curvado.

O projeto é triangular. Seu partido foi definido pela forma do terreno e pela relação dele com o lote vizinho (que possui uma árvore gigante bem preservada), integrando-os numa praça… A estrutura não representada no primeiro estudo tinha de ser definida, gerando esta segunda maquete de representação abaixo:

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A complexidade dos encaixes acabou distorcendo a altura, mas foi o suficiente para entender como as diagonais dos pilares em Y funcionavam (palitos de churrasco, tripa de mico pluma e cola). Base de isopor com papel rígido, e craft para acabamento. Terreno em hörle revestido de preto. Volume em papel pluma. Cobertura com vigas de pluma e lamina transparente de capa de apostila (!)

A partir do 3° ano as condicionantes começam a ficar mais complicadas… Como já visto no projeto acima, a relação com o entorno se torna frequente e importante, além dos outros fatores como insolação e ventilação, circulação, estrutura, abastecimento de água, estacionamento, etc.

Projeto 6 é um edifício multifuncional. De início você calcula o volume para atender o programa, elabora uma intenção plástica, e gera uma maquete de estudo (acima: papel paraná, isopor e duplex – embolorado pelo tempo…). Depois, você vai equacionando todas as questões técnicas e, dependendo do seu professor orientador, acaba deixando algumas daquelas intenções de lado para solucionar o problema a tempo da entrega! (Abaixo: base de horle revestido, duplex revestido com as fachadas, palito de dente e craft de alta espessura).

 

O quarto ano foi muito enriquecedor na disciplina de projeto pois durante dois semestres – proj. 7 e 8 – trabalharíamos numa mesma área e em conjunto com um grupo; cada aluno fazendo o projeto para uma quadra em cada semestre. Acompanhe para ver o resultado final…

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Dica: quando se trabalha com massas construídas existentes é interessante representá-las em branco e o projeto “à construir” com cor. Pode-se também representar as lajes (como eu fiz) com laminas (principalmente quando tiverem varandas), darão uma noção de altura do prédio e um efeito visual razoavelmente bacana para uma maquete de estudo.

Vale lembrar que nestas representações o importante era a velocidade e facilidade de realizar alterações, por isso utilizei o isopor. Abaixo ao contrário.. (tsc tsc); existente com cor e proposto branco (não iria ficar bom pintar a parte curva).

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O resultado da experiência toda foi um estudo para a reconversão do bairro da Luz. Imaginada à partir da premissa de investimentos, adequações espaciais, atendimento às demandas por equipamentos, adensamento e a não expulsão da população local. Este assunto estava (e ainda está..) sendo discutido, e muito importante para São Paulo. Na verdade acabou tendo pouca participação popular apesar das reivindicações por moradia… Teve também muita polêmica na política de valorização por concessões… além das ações policiais na cracolândia e o projeto – “cidade da dança” – que deveria ter sido construído até 2014 , e foi engavetado (mesmo após gastos milionários) pelo então governador José Serra. Esperamos que o bairro se renove, e de acordo com os anseios da sociedade.

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Acima a maquete final e abaixo a planta do que seria o térreo desta parte da cidade segundo a proposta da equipe em que trabalhei.

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E finalmente vem o Trabalho final de Graduação. Grande parte da dificuldade dele está no fato do aluno escolher o problema para uma resposta individual. Não há desculpas para:
“ah, mas com este tema é impossível fazer um bom projeto”, ou
“ah, mas neste terreno não dá para encaixar o que eu queria fazer”

Bom, esta maquete acima representa o terreno, o entorno, a inserção urbana. Precisei representar os desníveis (o relevo) para compreender como funciona sua hidrografia, e projetar em cima disto.

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Definidos o volume, a posição, a praça e etc, fui avançando no projeto dos edifícios, sendo que o principal deles foi apresentado na banca com o auxílio de uma maquete mais detalhada abaixo:

 

Precisei fazê-la em uma escala maior para que os professores compreendessem sua estrutura, já que decidi por um sistema não convencional, usando bambu. (tema que tenho bastante interesse e pretendo cada vez aprimorar mais; arquitetura em bambu)

Embora o resultado tenha saído com um pouco menos liberdade plástica do que o esperado, foi muito gratificante fazer este projeto. Pelo aprendizado e por mostrar para os mais novos (e até alguns mais velhos também) que é possível fazer diferente.

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Fonte principal e Imagens: Blog do Fábio Lanfer

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